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12/06/2026

Contas do governo têm déficit de R$ 73,8 bilhões em março, pior resultado para o mês da história

De acordo com o Tesouro Nacional, piora no resultado negativo está relacionada, principalmente, pela antecipação no pagamento de precatórios (sentenças judiciais) neste ano.

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As contas do governo registraram um déficit primário de R$ 73,8 bilhões em março, informou Tesouro Nacional nesta quarta-feira (29).

? O déficit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo das despesas do governo. Se as receitas ficam acima as despesas, o resultado é um superávit primário. Esses valores não englobam os juros da dívida pública.

??Houve uma piora na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando foi contabilizado um resultado positivo de R$ 1,59 bilhão (valor corrigido pela inflação).

??Esse também foi o pior resultado para meses de março desde o início da série histórica do Tesouro Nacional, em 1997, ou seja, em 30 anos.

??De acordo com o governo, a piora no resultado negativo está relacionada, principalmente, pela antecipação no pagamento de precatórios (sentenças judiciais) neste ano.

"Em 2026, esses pagamentos [de precatórios] concentraram-se em março, enquanto no ano anterior ocorreram majoritariamente em julho", informou o Tesouro Nacional.

Pagamento de precatórios eleva despesas

?Segundo o Tesouro Nacional, as despesas totais do governo somaram R$ 269,88 bilhões em março deste ano, com uma alta real de 49,2% no período.

A maior parte desse forte aumento de despesas, por sua vez, está relacionada, justamente, pelo cronograma de pagamentos de precatórios (sentenças judiciais).

Este fator, de acordo com o Tesouro Nacional, impactou fortemente as rubricas de:

Sentenças Judiciais e Precatórios (+R$ 34,9 bilhões),

Benefícios Previdenciários (+R$ 28,6 bilhões), e de

Pessoal e Encargos Sociais (+R$ 11,3 bilhões).

A elevação nos gastos com benefícios previdenciários e pessoal também foram influenciadas, em menor proporção, pelo aumento na base de segurados, pela política de valorização do salário mínimo e pelos reajustes salariais concedidos ao funcionalismo público.

Receitas também sobem

? Em março, também houve um aumento real de 7,5% na receita líquida, após as transferências constitucionais a estados e municípios, totalizando R$ 196,1 bilhões.

O bom comportamento da arrecadação, por sua vez, está relacionado com o crescimento da economia brasileira e, também, com os aumentos de impostos anunciados nos últimos anos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Entre as Receitas Administradas, os maiores impactos positivos vieram:

do IOF (+R$ 2,8 bilhões), fomentado pelo aumento na arrecadação associada às operações de crédito, seguro e câmbio, refletindo o aumento efetuado no ano passado;

do Imposto de Importação (+R$ 2,3 bilhões), que conjugou crescimento no volume importado e elevação na alíquota média efetiva;

do Imposto sobre a Renda (+R$ 2,3 bilhões) e da CSLL (+R$ 1,4 bilhão), impulsionados por aumentos no lucro presumido, na declaração de ajuste e no IRRF-Capital (aplicações de renda fixa); e

da Cofins (+R$ 1,5 bilhão), com destaque para o setor de serviços.

Parcial do ano

No acumulado dos três primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, as contas do governo registraram um déficit primário de R$ 17,09 bilhões.